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segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Respirei fundo e manti o foco no objetivo. O meu fôlego teimava em não ser constante, cortado pelos lampejos de medo e dor. A coragem que havia achado nos sonhos havia se perdido novamente diante ao desafio. Não podia ter erros, não havia o direito de tê-los. A menina do espelho olhava fixamente para mim, ansiando a hora da minha queda, podia ver seu sorriso de canto de boca. Não havia tempo e precisava fazê-lo - se não, me custariam horas de sofrimento por ter sido fraca de novo.

A maior luta é aquela em que envolve você e seu reflexo.

A menina do espelho se prepara para revanche.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Viver é estar em risco. Eu não quero mais estar em risco. Não quero essa constante mudança todos os dias. Não quero ter coisas amadas indo. Não quero ter o risco de alguém não gostar de mim. Não quero ter que me deitar todos os dias com o medo de amanhã. Eu sinto medo. Ele é meu maior desafio todos os dias. Medo de andar na rua, medo das pessoas, medo do que pode acontecer. Medo. Eu não quero mais. Não quero mais.

sábado, 23 de outubro de 2010

Bi-polar

Ao mesmo tempo que fico cansada de ser quem eu sou eu me coloco lá em cima. No mesmo dia que eu acordo dizendo que eu sou especial me coloco como a pior pessoa. Esses meus lados opostos acabam com aquilo que se chama saúde. E eu fico perdida entre meus dois extremos. Perdida nessa confusão de emoções. Não aguento mais tanta tristeza e tanta felicidade confundidas. Quero ser eu e só.

Eu me odeio, eu me amo. Afinal, quem sou eu?

domingo, 10 de outubro de 2010

Cansei de super exigir de mim. Vou me respeitar do jeito que sou agora, cansei de tentar ser mais que eu posso a troco de nada. Para mim falhar é uma grande decepção. Tão grande que estraga toda minha esperança na hora de tentar de novo. Decidi que não tentar vai ser melhor. Vou aprender a respeitar meus medos. Quem sabe as coisas vão fluir? E quando eu tentar vou estar grande o suficiente para aprender a falhar.
Tá, qual é o plano? O plano é correr e correr atrás de uma coisa que eu sei que não vai dar certo. É acordar todos os dias na falha esperança de ser alguém. Não ter com quem contar as misérias, não tem com quem dizer que estou infeliz. Está sendo assim e não vai mudar. O segredo é aprender a viver sozinha. Mas como? Me olho no espelho e fico pensando nisso, a solidão me dói tanto. E eu te quero aqui, mas você não se quer comigo. A entrega por maior que seja tem que ser ignorada e eu tenho que seguir em frente olhando no horizonte. Mas só consigo andar cabisbaixa. Cadê aquela esperança? Cadê os sonhos, os desejos? Ficou tudo em algum lugar que eu já não sei mais qual é.

domingo, 22 de agosto de 2010

Você não entenderia se soubesse que do outro lado da linha eu guardo o choro, tentando fazer minha voz não sair tão esganiçada. Porque há tempos eu tenho questionado o relógio, que vivia me dizendo que não é hora para nada. E não adianta sair porque não terá ninguém para ouvir tudo que tem ocorrido. Aliás ninguém ouve, só você, que não me pertence mais, sendo única e interamente da tua vida. E eu ando por essas calçadas pensando o quanto me sinto sozinha nesse frio todo. Vendo as pessoas se abraçando e sorrindo enquanto eu sigo com meus próprios pés numa jornada que parece não ter fim. O tal futuro chegou e estou tentando traçá-lo da melhor maneira possível só com meus esforços e sem ti. Agora já é tarde, preciso dormir porque amanhã começa tudo outra vez.

sábado, 29 de maio de 2010

Quis sair para distrair. Fui para o shopping e tinham tantas pessoas. E todas me olhavam como se apontassem e julgassem a menina sozinha e estranha ali no canto. Sorrisos de deboche. Eu me senti diferente. Tantas pessoas, movimento, o vai e vem delas. Porém nenhuma parou para perguntar o que me levou lá. E eu quis te ligar, quis tanto te ligar. O fiz e me arrependi. A minha solidão é minha única particularidade. E é minha e mais de ninguém. Eu sei que você não liga. E ninguém mais. Voltei para casa com tantas lágrimas nos olhos. As pessoas paravam para analizar a menina que chora sozinha no escuro. Por que será que ela chora? Seria o medo da multidão? Seria o ciúme e inveja enloquecidos? Quem liga afinal? Vou te dizer, ninguém liga para meu choro. Eles só sabem julgar e condenar. Ninguém vai parar para enxugar meu rosto. E segui só a caminho de casa. Com uma ilusão deixada para trás e totalmente perdida.

quinta-feira, 18 de março de 2010

De novo, a menina do espelho

Eu tenho que me amar, tenho que me amar. Repito mil vezes enquanto olho para o espelho. Cobrar amor seria algo errado? Mas e se for para melhorar a minha vida? Não seria melhorar e sim mudar. Porque tudo que eu preciso é me ver de modo diferente e todos meus problemas mais urgentes sumirão. Parece tão fácil, mas não soa assim quando eu olho para minha mão - pedaço de alguém que repulsa. Eu não gosto de mim, simples. E preciso mudar, complicado.

Mas eu vou.

"Colei aquele "Eu amo você" no espelho. É pra mim mesmo!"

quarta-feira, 17 de março de 2010

Em pedaços

Sua ausência prevalece. E corta. Saber da verdade me faz insignificante. E mesmo sabendo disso, sou dele. Pois sem ele não sou alguém - sou nada. Enquanto ele sem mim é inteiro. Enquanto mal respiro, as horas passam livremente para ele. Eu não mudo nada, eu sou metade de mim. Pois a outra parte me falta. Aquela que cabe o amor próprio, a que teria função da auto-suficiência. Esta minha parte pertence a ti.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

A princesa e solidão

A princesa que passara tantos dias trancada em seu castelo resolveu sair esta manhã. Mesmo sabendo dos perigos que residiam por fora dessas paredes espessas, ela saiu para respirar o ar matutino. Seus pulmões se encheram com algo que rimava com liberdade. A brisa estava agradável e o verde do quintal reluzia a luz do sol. Era uma manhã bonita. O céu estava em sua totalidade azul e haviam passáros decorando a trilha sonora da menina. Ela sabia que sentiria falta disso quando entrasse no seu castelo de novo. Era protegido lá. E sólidão. Ela e as paredes se encaravam durante o resto do dia. Ela sabia que doeria mais. Sabia que o cinza iria se tornar mais opaco. Sabia que se ela se entregasse a vontade, a dor seria mais forte.

E mais uma vez, se trancou.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Tudo no olhar

"É medo meu amor, é medo essa sensação de frio na barriga que me inquieta a cada detalhe. Essa minha paranóia está mais dentro de mim que por trás de ti. Não me abandona, meu amor. Não me abandona que eu vou te fazer muito feliz, eu juro. Não precisa se esquivar, eu tenho minhas inseguranças, mas vou fazer de tudo para ela não te atingir. Eu te amo, vida. Eu te amo mais do que possa entender." E por dentro ela se debatia, gritava. Por fora só um olhar, só um gesto. Sem palavras ou frases. Era o silêncio querendo dizer tudo outra vez.