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quarta-feira, 13 de abril de 2011

Tenho medo de sonhar. Medo de sentir saudades. Medo de lembrar o que passou e admitir o que perdi. Ainda me pergunto o quanto de mim essa perda me custou. O quanto de mim ficou para trás e o pouco que sobrou, quanto cresceu? Minha existência toda virou um só motivo. Vingança. Bonita, até. Quero fazer pessoas felizes pelo tanto que fui infeliz. Quero trazer sorrisos e recuperar esperanças. Quero salvar. Sei que você está ai, andando pelas nuvens me perguntando quando eu vou chegar. E minha partida significará o nosso reencontro. É minha única felicidade diante dela. Enquanto isso vou amando por aqui, sorrindo com quem eu tenho hoje. E dando um valor que não posso medir. Porque inteira eu nunca mais serei.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Eu queria mudar o mundo inteiro. Mas essa mania de xingar tudo não vai adiantar em nada. Por que as pessoas - inclusive eu - tem de estar tão ligadas ao exterior, ao físico? Por que essas mulheres andam por ai exibindo a nova cirugia de silicone e os homens tem ereção ao ver isso? Isso é nojento. Algo tão íntimo e tão vulgarizado por todos eles. Me dá repulsa, depressão. Dá vontade de entrar no movimento feminista mais perto de casa e encontrar com pessoas que também se sentem assim. A sociedade aceita, mas eu não preciso aceitar. Eu não quero aceitar. Eles só veêm as curvas e tudo que eu quero é um pouquinho de coração, porque de curvas eu não tenho nada a oferecer. E não adianta negar, todo mundo se sente assim. Até algumas mulheres - aquelas que não são obcecadas por sentimentos. Eu sou obcecada. Eu quero um olhar ingênuo e vontade de aninhar. Eu quero voltar a ser criancinha-adolescente que sonha com um beijo - só um único e ingênuo beijo. Não sei se quero ser desejada, já que o desejo está sendo distribuído assim.

Quero ficar no meu canto e fingir que essas coisas não existem, não ir em festas, nem lugares de socializar. Quero fingir que o mundo é aquilo que eu espero que seja.

terça-feira, 22 de março de 2011

Sigo por essas ruas me perguntando quem agora vai me entender? Já que você correu para a porta dos fundos quando lhe foi solicitada a sua atenção nos meus dramas. Eu sou dramática, eu sei. E sei também que você era a única pessoa que ouvia o que eu tinha a dizer, mesmo sendo exagerado. Você aconselhou e me acolheu. Você disse verdades e eu chorei. Você me tirou milhares de lágrimas e agora foi embora. Porque eu deixei você ir, e você foi. Sem dizer um adeus formal, fiquei sem saber o que dizer. Só fiquei me perguntando, e agora para onde eu vou correr? Quem vai ouvir esses problemas de uma menina de dezoito anos que anda levando bofetadas da vida? E se eu me sentir sozinha de novo? Meu cachorro faleceu mês passado. Quem vai ficar comigo agora? Quem vai ouvir? Se todo mundo correu e você correu também. Eu não tenho ninguém desse lado da ponte, só esse diário que olha para minha cara e não diz nada que eu não disse - e que se eu não fosse tão só nem ao menos existiria.

E agora?

segunda-feira, 21 de março de 2011

Uma história de tantos anos, história de quem não tem mais histórias para contar. História para lembrar no meio da noite e chorar. História que não sai da cabeça quando se ouve uma música de saudade. Sou assim, cheia de saudade. Saudade de coisas que não fiz, quantos sonhos eu só sonhei. Quantas vezes acordei de manhã pensando no ontem que nunca existiu e que eu queria que tivesse existido. Agora que o tempo passou e tudo se perdeu me sinto mais vulnerável em pensar no meu intímo. Aquele que eu guardo sob todas as chaves e ninguém nunca vai saber. Aquilo que por direito é meu e posso esconder. Como eu queria ter lembranças reais e não essa falta do que pensar.

domingo, 13 de março de 2011

Aniversário chega e fica aquela sensação de vazio, aquela sensação de “eu não tenho muitos amigos”. Como se esse fosse o seu dia e ninguém se importasse muito ou falassem pela obrigação social. Eu queria ter muita gente perto, muitos sorrisos e presentes. Mas eu me fechei para o mundo e o mundo se fechou para mim. Continuo nessa estrada da solidão, nesse andar devagar para lugar nenhum. Continuo no meu vício de tentar ser alguém e falhar. Cresci, mudei tanto. Mas continuo nessa infelicidade de quem procura e nunca acha.

sábado, 23 de outubro de 2010

Bi-polar

Ao mesmo tempo que fico cansada de ser quem eu sou eu me coloco lá em cima. No mesmo dia que eu acordo dizendo que eu sou especial me coloco como a pior pessoa. Esses meus lados opostos acabam com aquilo que se chama saúde. E eu fico perdida entre meus dois extremos. Perdida nessa confusão de emoções. Não aguento mais tanta tristeza e tanta felicidade confundidas. Quero ser eu e só.

Eu me odeio, eu me amo. Afinal, quem sou eu?

quarta-feira, 5 de maio de 2010

E o tempo?

Foi quando a moça do outro lado do balcão perguntou "Quantos anos você tem?" que eu me perdi naquele momento. Eu não lembrava. Não lembrava do que se passou, das minhas fases. Não lembrava de nenhuma festa de aniversário nos últimos tempos. Não lembrava do meu último "Parabéns para você". Será que eu parei no tempo ou o tempo parou para mim? Como se tudo que passou não fizesse mais parte de mim e o que eu vivo agora é o que realmente existisse. E o que eu vivo agora? Que grande vazio é esse que me preenche a cabeça quando eu penso no agora? E nos últimos três meses o que eu tenho feito? Quantas pessoas falam comigo? Quem realmente sabe de como ocupo meu tempo? Nada fazia sentido. Eu havia parado de contar os dias quando eles começaram a passar repetidos. Solidão, solidão. Nenhum sorriso a mostra, nem uma lágrima para se esconder. Era só a solidão fazendo o tempo. Fazendo as horas, os dias. E não me dera conta de nada. Até agora.

domingo, 2 de maio de 2010

Minha intensidade.

Vaculho entre os meus pertences. Penso e nada me vem na mente. Onde eu deixei aquilo que eu era? Perdi na estrada, talvez. Cada pedacinho de mim deixado para trás como uma trilha. E jamais poderei voltar para pegá-los. Porque eu acabei - indeiretamente - decidindo ser assim. Alma no seu estado mais intenso. E só, vago por ai a procura de um pouco de pedaços dos outros. Mas nada acho a não ser a minha intensidade. Vivo, sofro, existo, sinto. Assim vai minha rotina até não-sei-onde.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Conversa de botas batidas

A minha condição é essa. E assim, está tudo bem se eu disser que não vou mudar? Eu sei que me machuca - corrói por dentro. Mas essa sou eu bem em frente de você. Dizendo que não, jamais conseguirei. Eu não saio dessa, você sabe que não. E por que esse olhar de piedade? Eu não decidi ser assim, não tenha pena do que foi feito para ser. Talvez eu aprenda, talvez eu venha a mudar. Muito improvável. E você que já vê esse meu choro e pensa em virar? Vai me abandonar de novo? E dai que eu sou fraca? Não, não me venha com essa que eu tive todas as chances. Você não pode me abandonar. É, tem que ter paciência. Não, não tem como desistir. É, isso. Vou tentar amanhã e depois, mas você sabe que eu não tenho esperanças. Eu não vou mudar.

Essa é a hora que eu me viro de costas para o espelho e sigo.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Bipolar

Olha, eu não sou uma boa pessoa. Não sou altruísta nem nada disso. Sou totalmente voltada para os meus interesses e só penso nas minhas dores. Será que isso não é o suficiente para o mundo me odiar? Não, ele não me odeia, ele faz pior. Ele é indiferente. E isso dói mais do que ser odiado, é não ser ninguém. Nem para mim mesma, não sei nem o motivo de eu estar aqui tendo meu espaço.


Isso porque eu falei a dez minutos atrás que tenho que me amar.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Em pedaços

Sua ausência prevalece. E corta. Saber da verdade me faz insignificante. E mesmo sabendo disso, sou dele. Pois sem ele não sou alguém - sou nada. Enquanto ele sem mim é inteiro. Enquanto mal respiro, as horas passam livremente para ele. Eu não mudo nada, eu sou metade de mim. Pois a outra parte me falta. Aquela que cabe o amor próprio, a que teria função da auto-suficiência. Esta minha parte pertence a ti.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Sobre o brilho de alguém apagado

Hoje quis ser estrela. E eu que gosto tanto de estrelas. Seria perfeitamente uma. Sou um ponto de brilho numa escuridão profunda, será? Me questiono o que acontece quando uma estrela morre, ninguém nota - a não ser os astronomos que a estudam. Ou os amantes daquela estrela. Que apesar de única tem uma frequencia só dela. E deslumbra olhares por ai. Não faz diferença para se quer uma multidão, mas encantou o coração de um único amante. E por sorte é o ser amado. Brilho que reflete em olhar. Sou uma estrela, pensei. Sou uma estrela pequena e apagada, mas brilho para um coração. Seria a maior honra. Ser dona de um único coração e pertencer a ele. Uma estrela, que belo egocentrismo. Não, disse alguém, isso é total aceitação de indiferença.

Sobre o brilho de alguém apagado

SoHoje quis ser estrela. E eu que gosto tanto de estrelas. Seria perfeitamente uma. Sou um ponto de brilho numa escuridão profunda, será? Me questiono o que acontece quando uma estrela morre, ninguém nota - a não ser os astronomos que a estudam. Ou os amantes daquela estrela. Que apesar de única tem uma frequencia só dela. E deslumbra olhares por ai. Não faz diferença para se quer uma multidão, mas encantou o coração de um único amante. E por sorte é o ser amado. Brilho que reflete em olhar. Sou uma estrela, pensei. Sou uma estrela pequena e apagada, mas brilho para um coração. Seria a maior honra. Ser dona de um único coração e pertencer a ele. Uma estrela, que belo egocentrismo. Não, disse alguém, isso é total aceitação de indiferença.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Rotina

Estou aqui! Alguém pode me ouvir? Era possível ouvir minha voz se completando num eco. Gritei mais uma vez. Mais duas. Nada. Será que ninguém viu a cena que eu fiz? Ninguém pode compreender os meus atos? Minhas falas tão bem formadas? Ninguém? E grito mais uma vez. A solidão é uma companhia calada, admito. As paredes do meu quarto me encarando. Não há nada. Só uma menina desesperada por atenção. Se ninguém ao menos pode me ouvir como posso ter a audacia de desejar que leiam meus olhos? Ninguém jamais conseguirá os ler. Então os próprios se enchem de lágrima, seria fácil agora, chega a estar berrante. Mas ninguém está quando eu choro. Quando quebro todas as defesas, todas as enganações comigo mesma. Ninguém vê. Só a solidão. Que agora apoia a mão no meu ombro. Não adianta gritar, diria ela se pudesse se expressar, estou aqui. E mais uma tarde se passa. Nada muda. A mesma cena. A mesma platéia. Minha vida toda, assim.